O câncer é um bem?

(*) Clóvis Moré

A vida nunca será a mesma.

O diagnóstico é terrível, destruidor.

Para a pessoa, família, amigos. Enfim, chegou a hora.

Todos podem um dia receber a notícia após ir ao médico.

A princípio, aterradora, devastadora, obsessiva, incrédula.

Aos poucos, porém, surge a luz de Deus.

Aparece como a única tábua de salvação.

É o caminho para quem tem o diagnóstico confirmado pela aguardada biópsia.

É o encontro com Deus que passa a ser visto de forma diferente. As preces passam a ter fé, esperança e luzes.

A doença é imprevisível, mas não invencível.

Cada corpo responde de um modo diferente ao tratamento médico.

O canceroso muda sua vida física e espiritual.

A física debilitada pelos sintomas e efeitos dos medicamentos.

A espiritual pela fé na crença inabalável de que o milagre será possível.

Transforma seu modo de ser. Precisa ser humilde, complacente, resignado, crente e lutador.

Deposita suas esperanças na Santíssima Trindade – Deus – Pai – Filho e Espírito Santo – e naqueles que têm uma palavra de esperança e conforto.

A revolta não pode ocupar o seu coração e dos que amam. Em nenhum momento.

Segue os desígnios misteriosos de Deus, e deve sempre orar: “Faça-se em mim a sua vontade”.

É um novo homem. Um ser polido pelo sofrimento, dor e com a mente aberta para dar e receber o bem.

Sabe que pode ser curado, mas está preparado para a morte.

A morte faz parte da vida e será sempre o nosso destino final.

Escrevo essas palavras como agradecimento para os que conseguiram uma sobrevida mesmo pequena e para os que a doença levou.

A árdua luta não foi em vão, porque os dias vividos valeram pela essência da vida e do amor recebidos.

As famílias resignadas sentem a saudade, com as boas lembranças deixadas como legado de que o bem sempre é o caminho de Deus.

O câncer é o resumo de que nossa vida é a fé, a esperança e a crença em Deus, nosso Pai, dono do nosso destino.

(*) O autor é jornalista, produtor rural e colaborador do Tribuna Livre

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