Eles estão partindo – Professor Galvão exemplo de político

Posso afirmar sem medo de erro…

A morte do professor Luiz Geraldo de Oliveira, mais conhecido como Professor Galvão, é a cristalização da perda de um dos homens que se dedicaram à política com ética, fidelidade e grande amor a Presidente Venceslau.

Durante mais de 50 anos, primeiro no exercício da profissão e depois como amigo, pude aquilatar as qualidades de cidadão íntegro e honesto, que balizavam as posições do ex-prefeito.
Galvão, desde que ingressou no MDB, depois PMDB e agora MDB, não saiu mais.

Sua trajetória política foi sempre na agremiação que era oposição, se tornou governo e perdeu a identidade nos últimos tempos.

O professor passou incólume por toda esta longa história, sempre “praticando” a política com simplicidade, cara a cara, e exercendo um irretocável domínio em seu partido.

Militante que suava a camisa, jogava o jogo do momento, sempre com fidelidade e não pensando em práticas ilegais que lhe fossem favoráveis na vida pessoal.

Vereador, Presidente da Câmara, prefeito interino com grande sucesso, diga-se a bem da verdade, candidato a prefeito e homem de partido.

Amigo de infância do Presidente Temer, por quem tinha uma predileção, foi sempre um dos pilares da trajetória política do ex-prefeito Tacinho.

Estava sempre ao lado do ex-prefeito e por muitas vezes me disse que discordava de certas posições adotadas, mas que por dever partidário, estava ao lado do ex-prefeito, nos momentos difíceis em que Tacinho foi acossado.

Eu, particularmente, tinha uma admiração pelo professor pelo simples fato de que após ser eleito vice-prefeito em uma batalha eleitoral difícil, fui procurá-lo para entrevista e não o encontrei na Prefeitura.

Fui informado de que estava “dando aulas na Escola da Vila Jardim”, ao invés de se locupletar pelo novo cargo de vice-prefeito.

Encontrei Galvão com as crianças na Escola Santa Duarte D’Incao, ministrando ensinamentos e na sua simplicidade solicitou que aguardasse o sinal de encerramento das aulas para a entrevista radiofônica.

Senti, naquele momento, a humildade e grandeza do cidadão Galvão e passei a admirá-lo pelo resto de nossa trajetória, que se tornou respeitosa e de amizade recíproca.
Galvão morreu vencido pelos anos e pelo tempo que a todos nos levará.

Mas, certamente cumpriu sua missão e deixa um exemplo para os novos políticos.

Era político e nunca se envergonhou de sê-lo, provando que a arte de militar na nobre e polêmica atividade é possível de ser exercida com probidade, lealdade e honestidade.

Descanse em paz, velho amigo.

(*) Clóvis Moré é jornalista.

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