Associação Brasileira de Cardiologia na Vanguarda do Atraso

Certamente você dormiu feliz em saber que com tanta luta em termos de dieta e atividade física, seus exames de colesterol estavam normais, mas acordou triste por saber que a partir de agora você passa a estar com os seus valores de colesterol fora da normalidade…

É como se você tivesse se tornado deficiente de estatinas, pois daqui para frente, sem o uso dessas medicações é impossível ter esses valores normais de colesterol.

Mas o que aconteceu?

Como você se tornou deficiente de estatina?

Tenha medo…

Como uma porcentagem de brasileiros (12,5% da população) apresenta colesterol elevado, e as medidas terapêuticas não estão respondendo como deveriam, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, reduziu ainda mais os valores mínimos para o colesterol. Através da sua última atualização das Diretrizes Brasileiras de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose, por entenderem que o grande vilão é o colesterol, esses valores passaram a ser:

  • LDL (colesterol ruim) de 70 mg/dl para 50 mg/dl
  • Colesterol total de 200 mg/dl para 190 mg/dl
  • HDL (colesterol bom) de 60 mg/dl para 40 mg/dl

Além disso, não há mais necessidade de jejum de 12h para a realização do exame.

Resultado:

Com isso, de um dia para outro, você não pode mais viver sem estatinas, pois é praticamente impossível se ter esses valores sem medicação, pois só com dieta, especialmente a que se aconselha.

O Brasil passa a ser o país mais rígido do planeta com essas diretrizes. Avaliando os pesquisadores que fizeram parte do estudo, dos 18 deles, somente 5 não estão correlacionados com vínculos em laboratórios médicos que tenham algum interesse.
Quanto ao suporte dietético, se prega grãos, soja, adoçantes artificiais, leite e iogurte desnatado, clara de ovos, molhos sem gordura para temperar, e margarina leve (o que será que isso significa?).

Além disso, gordura saturada boa e proteína animal (carne vermelha), ovos (gema), nozes e sementes passam a ser alimentos ocasionais e em pouca quantidade. Essa alimentação é a mesma que foi altamente criticada e descreditada pela comunidade médica internacional na recente divulgação da posição atual da American Heart Association em relação as gorduras.

Não há evidências para sustentar seus números baixos de colesterol. Mesmo que os números mais baixos de colesterol fossem benéficos, é preciso observar o efeito geral da droga, que reduz uma importante enzima hepática, a coenzima Q10. Uma vez que a maioria raramente recebe isso como suplemento quando está usando estatinas, muitos realmente terão um aumento no risco cardíaco como resultado dessa deficiência de vitamina induzida por drogas.

Há muita confusão sobre o problema do colesterol.

No entanto, devido à desinformação nos meios de comunicação e ao empurrão de drogas pelas corporações multinacionais, a maioria das pessoas se preocupa com o seu colesterol sendo muito alto e não tem ideia sobre os perigos do colesterol baixo, especialmente quando feito artificialmente com drogas.

O que você precisa saber em primeiro lugar é que o colesterol é bom para você. Está presente em cada célula em seu corpo onde ajuda a produzir membranas celulares, hormônios, vitamina D e ácidos biliares para ajudá-lo a digerir gordura.

O colesterol também ajuda na formação de suas memórias e é vital para a função neurológica, razão pela qual a descoberta de que o colesterol baixo está ligado à perda de memória não é de todo surpreendente.

Na verdade, quando seus níveis de colesterol são muito baixos, uma série de coisas negativas acontecem em seu corpo.

6 fatos chocantes sobre os perigos do colesterol baixo

Fato 1 – Reduzir seus níveis de colesterol pode piorar doença cardíaca.
Uma revisão dos estudos médicos sobre colesterol e mortalidade em pacientes cardíacos, mostra que reduzir os níveis de colesterol levou a morte – e não sobrevivência, como querem que você pense.

Fato 2 – Colesterol baixo pode desencadear o tipo mais mortal de derrame. É chamado derrame maciço, e isso acontece quando os vasos sanguíneos cerebrais estão tão frágeis que se rompem. Valores de colesterol abaixo de 200 são bandeira vermelha para esse tipo de derrame.

Fato 3 – Colesterol baixo aumenta o seu risco de câncer.
Sim, um novo estudo na verdade correlaciona níveis de LDL com aumento do risco de desenvolver câncer. Há diversos estudos que mostram isso, e a grande maioria dos cânceres correlacionados com colesterol baixo.

Fato 4 – Colesterol baixo compromete a função cerebral. Ele está correlacionado com depressão. E medicações que reduzem o colesterol têm mostrado causar perda de memória.

Fato 5 – Colesterol baixo está correlacionado com Alzheimer. O eminente pesquisador Iwo J. Bohr publicou recentemente uma grande revisão de estudos correlacionados. Ele pontua que pacientes com Doença de Alzheimer tipicamente tem colesterol baixo e sugere que o modo de prevenir a doença pode ser consumir uma alimentação rica em colesterol.

Fato 6 – Colesterol baixo está correlacionado com suicídio. E isso não é porque as pessoas estão se alimentando com aipo e tofu! A razão real provavelmente é que colesterol baixo literalmente o deixa alucinado.

Referências bibliográficas:

  • Annals of Internal Medicine. 1998;128(6):478-487
  • The Journal of the American Medical Association. 1997;278:313-321
  • Annals of Internal Medicine. October 3, 2006; 145(7): 520-530
  • Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology. June 30, 2008
  • J. of the Am College of Cardiology. July 31, 2007; 50:409-418
  • Neurology Today. 2007. 7(15), 27-28
  • Annals of Internal Medicine, 2013. 158(7), 526
  • Scientific American Mind, 2016. 27(4), 72-72
  • Side Effects of Cholesterol-Lowering Statin Drugs. (2016). WebMD.
  • Journal of Lipid Research. Retrieved 17 July 2016
  • O Estado de São Paulo. 12/08/17. A13

14:00:03

1 Comment

  1. É muito difícil para um pessoa leiga no assunto se posicionar, fica dificil a escolha do profissional a que recorrer, já não sei em que acreditar.Tomo 4 mg de Livalo por dia (orientação médica) pq com 2mg não conseguia os níveis ideais.Tenho 66 anos e um s tente na artéria descendente anterior.

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