300 famílias do MST invadem fazenda em Marabá

Cerca de 300 famílias que fazem parte do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram, na madrugada de ontem, a Fazenda Floresta, em Marabá Paulista. De acordo o representante da organização, José Viana Oliveira, a invasão tem o intuito de reivindicar “os mais de mil hectares que devem ser entregues ao grupo”, terras que fazem parte de um montante pleiteado por eles. Há pouco mais de um mês, 30% da área foi desapropriada para o assentamento emergencial. Ainda conforme José, o movimento só vai se retirar do terreno, caso os 70% restantes sejam “restituídos”, ou por ordem da Justiça.

“Chegamos às 4h45 e não temos previsão de saída”. Conforme dito pelo representante, a invasão é por tempo indeterminado. Ele ainda explica que, além de fazer parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que ocorre em todo país, o manifesto também faz parte do “Abril Vermelho”, que lembra do “massacre” realizado em Corumbiara, no extremo sul de Rondônia.

José também ressalta que os 30% entregues pela Justiça anteriormente “não são suficientes”, já que foram usados para atender “somente” 42 famílias. “A gente precisa do restante. São mais pessoas que dependem dessas terras. O que sabemos, até hoje, é que o dono da propriedade fez uma proposta de R$ 13 milhões ao Estado, que seria um valor muito alto”, explica.

Questionado se o grupo manteve contato com o órgãos responsáveis, como o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) ou o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), José afirma que nenhum representante compareceu ao local.

Itesp
O Itesp informou, por meio de nota, que a “Justiça determinou o pagamento da indenização das benfeitorias do imóvel, ressalvando aos ocupantes o direito de retenção de 70% da área”. Informa ainda que os autos estão no prazo para julgamento dos embargos de declaração interpostos pelos ocupantes, bem como da análise do recurso de apelação interposto pelo governo do Estado, que impugna a condenação no pagamento da indenização e o valor arbitrado pela Justiça.

Ademais, a fundação expôs que o governo do Estado é contra as invasões mobilizadas e que a política desenvolvida para implantação de assentamentos ocorre de forma transparente, além de sempre estar aberto aos diálogos, que possam solucionar problemas de formas pacíficas.

Polícia
Até o fechamento desta edição, a reportagem também procurou a Polícia Militar de Marabá Paulista, e foi informada que não foi possível contabilizar o número de pessoas no local, porém, a invasão segue de forma pacífica.

O Imparcial
12:40:02

De sua opinião